quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

PERDOAI VOSSOS INIMIGOS ASSIM COMO...



O Senhor me concedeu uma Graça, antes assim não considerada por mim.
Achava que era um problema sério, até tomei vários tipos de remédios, fitoterápicos como Ginko Biloba ou mais fortes alopáticos como ... esqueci o nome.
Comecei a fazer palavras cruzadas, diziam que ajudava.
Brincava que um alemão estava me pegando,um tal de Alzheimer...
Passado o tempo, caindo na benção do conformismo,comecei a refletir na misericórdia divina do esquecimento.
Não preciso perdoar meus inimigos, pois não os tenho.
Se me fizeres mal, não te preocupes em breve esquecerei, e estarei sem-vergonhamente sorrindo pra ti.
Não penses que foi a magnitude do perdão, simplesmente me esqueci.
Ontem passa num piscar de olhos e durmo o sono dos justos porque tudo que se passou, o que fiz ou me fizeram, de bom ou de ruim, foi devidamente apagado da memória.
Pesco algumas lembranças boas, e tento trancafia-las numas gavetinhas para não perde-las. Daí alguns cheiros bons, me remetem ao passado num relance, que dura segundos e deixam uma sensação infinda de prazer revivido.
Existem também outras percepções como tatos e gostos, abraços apertados, cheiro de mato molhado, maresia, doce de mamão...
Outro dia ouvi uma preleção sobre o Pai Nosso, o orador dizia, que rezavamos ao Pai que perdoasse nossas dívidas assim como nós perdóavamos aos nossos devedores, e neste simples advérbio de modo, estavam concentradas nossas misérias.
Porque Deus dava o que pedíamos, e como nós não conseguiamos perdoar também assim não nos perdoavamos.
Daí refleti as graças que alcançava, pelo bem do esquecimento.
Sinceramente não me pesa o mal que tenho cometido pelo caminho, ou mesmo aquele que tenha sofrido.
Pois minha memória é péssima!
Como assim?
Lembro-me de letras de música inteirinhas que há anos escutava papai cantarolar no banheiro: " Minha vida era um palco iluminado eu vivia vestido de dourado..."
Lembro-me do nome completo dos meus amigos de primário: Mônica Chaud, Leilane, Luis Kôgi.
Sei a maioria das capitais do mundo, os rios afluente do Amazonas, a tabuada, o Teorema de Pitágoras e as fórmulas de Matemática necessárias para solução de um monte de problemas.
Sei reconhecer as pinturas e esculturas dos Grandes Mestres e de cor alguns poemas de Fernando Pessoa e Drumond.
Sei quem foi Odete Roittman e o jingle das Casas da Banha.
Cheguei a conclusão: não tenho problemas de memória, Deus apenas me concedeu uma grande Graça.

Um comentário:

  1. A memória é seletiva.Esquecimento: uma dádiva divina.

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